Thursday, March 3, 2016

Um Chapéu cheio de Flores.


Estava aqui pensando sobre o dia internacional da mulher. Andei vendo por aí que algumas meninas estão dispensando as flores e de forma, às vezes, bem agressiva.
Eu não dispenso as flores. Nunca! Jamais!
Não vejo nada mais feminino e feminista do que flores.
Na Itália, é tradicional as mulheres se darem flores no dia 08 de março. Na verdade uma flor específica: a mimosa, que floresce assim que março começa, que é simples, perfumada e forte e que se encontra com facilidade durante todo o mês da mulher.

Escolhida no pós guerra para representar simbolicamente essa conquista, fruto de uma luta gigante: a instauração de um dia, internacional para lembrar que nem sempre fomos tidas por iguais. Que nem sempre a outra metade, 'o segundo sexo', como chamaria Beauvoir, foi tido como igualitariamente humano.
Esse escândalo não pode mesmo se permitir esquecer!
Me faz muita falta ver, assim como via lá, as mulheres reunidas em grupos, nos restaurantes, floridas e comemorando seu dia!! SEU DIA!!
Aquele que veio de longe, de um caminho turbulento, violento, hostil, sanguinário mesmo!... Desde de tempos imemoriáveis, desde a maravilhosa e pioneira conquista do voto universal feminino na Nova Zelândia em 1883, graças aos esforços amáveis de Kate Sheppard, desde o II Congresso da Internacional Socialista em 1907, passando pela Conferencia de Copenhagen em 1910, e pela morte de uma centena de trabalhadoras em fábricas americanas por volta da mesma época, desde a Russia de 1921 e, alí, da escolha do dia 8 de março como o dia internacional da mulher; desde, ainda, a conquista, um pouco mais tardia, de outras sufragistas pelo mundo afora, mulheres vieram lutando incansavelmente pela igualdade de direitos.
Mulheres ainda vem lutando, incansavelmente pela igualdade de direitos...
...Com um esforço sobrenatural de ter que passar por cima de preconceitos esdrúxulos! De humilhação! De difamação!! Que é, convenhamos, a arma preferida do 'macho adulto branco sempre no comando'. 
As mulheres que tiveram a coragem de dar a cara a tapa por nós naqueles tempos, e as que hoje ainda tem, foram, e somos, chamadas de ignorantes, arruinadoras da nação, encrenqueiras (A-DÓO-RO!!), ... e feias, e mal amadas, e nunca beijadas, e cafonas, e sapatão... 

E foi precioso, e ainda nos é, que da parte mais maravilhosa de ser mulher, e com isso ser toda uma heterogeneidade, tenhamos conseguido, e ainda, e sempre, colocar nossas doces mãos em qualquer porcaria feita pelo homem e transformá-la em uma arma de luta. 



E transformar ao nosso modo peculiar: às vezes plasmamos, copiamos o modo deles (não é o meu favorito...), às vezes desafiamos, às vezes fazemos parceria, às vezes separamos radicalmente... às vezes queremos pão, e às vezes queremos flores!!!

A moda, a domesticidade, a ternura, a inteligência, as saias, as calças, os sutiãs queimados, os mesmos transformados, as armas, os cigarros, os charutos e o baton vermelho! (meu mais favorito!...)

... Tudo já foi material nessa luta ainda sem fim... Até as cadeira-de-rodas de Maria da Penha!...Até os shortinhos, como vi essa semana as alunas - brilhantes! Diga-se de passagem - do colégio Anchieta fazerem um abaixo assinado intitulado: "Vai ter shortinho sim!" Onde, mais uma vez nessa longa jornada que nós mulheres percorremos atrás dos direitos iguais, exigem que seus direitos como seres humanos sejam respeitados, e considerados, e priorizados para além da objetificação criminosa de seus corpos. 

... E por falar em corpos, também esse entra na luta, do jeito que dá e até depois de morto, como encontrei na voz da turista argentina morta no Equador que do além veio às redes sociais exigir a mesma coisa que as alunas do Anchieta!!...

E que nós!... E que sempre...
Nossas circunstâncias são muito diferentes, nossas pequenas, e grandes lutas, não tanto!
Eu não posso, e não quero, abrir mão dos meus instrumentos mais preciosos para lutar essa luta. 
Da onde eu me sustento aqui, sou feminina, sou florida, sou Frida.

Sou também maquiada, sou também desleixada e tatuada.
Sou apaixonada, apavorada e tantas vezes irritada!! Como agora com essa história de não querer flores no dia 08!!

Eu quero minhas flores sim!!! Eu quero junto com todo o resto.
Quero flores com respeito e com os meus direitos! Quero flores em todas as ruas e quero mulheres em todos os bares!
Bebendo as nossas conquistas, sonhado as novas conquistas!
Quero flores no meu orgulho e,
Quero flores no meu chapéu!!

... Aquele que eu só tiro para aquelas poucas mulheres muito, muito, muito especiais que escreveram com a vida a vida que eu posso ter agora.

Well done, girls!! WELL DONE!






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