Thursday, December 20, 2012

Estrangeira em si...


Como hábito bem cultivado, continuo sempre a estranhar tudo, ainda que desanimada um pouco da escrita...
Da ultima vez estava estrangeira na politica e não o deixei de ser.

Ando triste com as perspectivas. Mas ando ainda mais triste de perceber o quanto tudo é tão alheio. Me entristeço de perceber que pessoas que julgo tão inteligentes defendem ideias tão diferentes das minhas; que pessoas de que gosto tanto defendem ideias que repudio de corpo e alma...

"A Bruta flor do querer, a bruta flor, bruta flor"...

Não é que desconsidero-as como inteligentes, ou que tenha deixado de amá-las. É só que esse estranhamento causa dor. Uma dor histórica. Uma dor que é aquela que antropólogos ou historiadores sentem ao descobrir o que espanhóis e portugueses fizeram aos Maias e aos povos nativos da América do sul... Aquela dor irremediável, desesperançada, impotente...

Que percebe que por mais que tentemos lutar contra, algumas vezes não escapamos do julgamento pueril - o meu também! Das categorizações dicotômicas - minhas também! De intolerâncias...

Nesses momentos de amarga melancolia me pergunto a Ele: "Jesus o que é que se pode fazer?! O que é que eu posso fazer?"

E não preciso de uma resposta, posto que Ele já deixou ela escrita bem antes que eu formulasse a pergunta: "Ama o próximo como a ti mesmo."

E diante dessa resposta, me indigno e indago: Mas são tantos próximos, tão diferentes, e às vezes uns contras os outros!!?...Como fazer?!!?!

E sinto dentro do peito: Ama o PRÓXIMO como a ti mesmo.


Se amastes só àqueles que vos amam,
Que mérito há nisto?
Se fizerdes bem somente aos que vos fazem bem,
Que mérito há nisso?
Se emprestates somente àquele de quem esperais receber,
Que mérito há nisso?
Amai, porém, a vossos inimigos, fazei o bem e emprestai,
NUNCA desanimando,
Sede misericordiosos,
Não julgueis e Não condenais,
Perdoai,
Dai!!   

...e ser-vos- a dado; 
boa medida recalcada sacudida e transbordante.  
(Evangélio segundo Lucas cap. 6)


Monday, October 22, 2012

Estrangeira na politica


Desde as eleições para prefeito do Rio ando me sentindo estrangeira na política.
Há o despertar de uma vontade de mudar as coisas, de fazer melhor...
Há também um cansaço que de resignado passou a indignado e quer deixar de ser inerte...

Mas olho e vejo que são tantas as coisas que desconheço, tantos os lugares onde nunca estive nesse planeta chamado política...
Onde nunca quis verdadeiramente estar!
Mas que percebo, hoje, ser uma parada obrigatória.

Talvez seja melhor assim.
Olhos inocentes sempre enxergam mais, sempre desconfiam do óbvio, sempre perguntam aquelas perguntas que ninguém mais fez.

Faz-se necessário ter uma posição...

Há uma fé em mim...
Ela crê, contra toda esperança, que coisas podem ser mudadas. Que não precisa muita sofisticação para se fazer diferente e diferença no mundo ao meu redor.
Precisa força, resiliência e... fé.

Estou interessada, e não quero perder esse interesse.

Sei que não escrevo objetivamente sobre fatos, o "estrangeira" sempre foi um pulsar anímico, e como tal, é espectro de momentos, é latência, é pensar no espaço coletivo de forma a estar, no mais das vezes, só.

Dessa jornada estranha que intento iniciar por aí, mandarei mais notícias,
mas desse meu jeito reflexivo, falando comigo mesma pra quem quiser "ouvir"...

Até breve,
Ou melhor,

Arrivederci.


"Eu sou eu e minha circunstância, 
e se não salvo a ela, não me salvo a mim."
Ortega y Gasset

Thursday, April 26, 2012

Esse lugar...

A fala é um lugar.
As coisas estão lá onde ela acontece. Expostas, mas nem sempre encontradas.
É incrível a quantidade de coisas que as pessoas falam e que não encontram.
É como andar por Roma e ver só o que é Coliseo ou Vaticano...
Perder todo o resto.
... É um lugar onde tudo é história, onde gerações se desvelam, onde cidades se escondem.

Passeando por falas alheias vi o curioso do óbvio obducto.
Encontrei Caravaggio dentro de uma igreja francesa escondida num beco no coração de Roma. O que é um lugar fácil de se encontrar quando se é estrangeiro em busca de novidade.

Mas a poucos pude mostrá-la.
Como tal igreja, sempre mais fácil de ser vista por estrangeiros do que pelos self- absorved moradores locais, há lugares, na cartografia da nossa fala, onde nunca nos encontramos.


" Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho"
(ICo 13:12)

Arrivederci.

Friday, April 20, 2012

Grandes dimensões em pequenos recortes...

Ando ouvindo coisas estranhas.
Ando lendo-as também.
Às vezes, quero vir correndo escrever e comentar esse estranhamento,mas na maioria delas perco o ânimo.

O estranhar quando ganha dimensões muito amplas sufoca. Cria-se a sensação de que não vale mais à pena falar de nada disso.
Do cotidiano de proporções absurdas.
É a manipulação das noticias...
É a realidade dos hospitais...
São as pessoas.
- Meu Deus, as pessoas!

Como é profundo esse mistério que nos une e divide. Que nos faz seres da mesma espécie sendo assim tão diferentes. Particularmente, socialmente, culturalmente cristãmente, linguisticamente, ocidentalmente, territorialmente... Brasileiramente, cariocamente.
O recorte não precisa ser macro, basta ser vizinho.

A pergunta que fica é:
Há um?

...

"eu não sou eu nem sou o outro
sou qualquer coisa de intermédio
Pilar da ponte de tédio
que vai de mim para o outro"

Mario de Sá carneiro
 

Arrivederci.

Wednesday, March 7, 2012

O estranhar...

Ninguém quer falar sobre isso, mas está lá. Todo dia, todo tempo diante de nossos olhos.
Ontem a morte deu aviso prévio e eu me perguntei: estou me acostumando com essa notícia?!
Sonhei com leitos vazios...

Acho que o pior que pode acontecer é se acostumar com esse tipo de notícia. Acho que o pior que pode acontecer é deixar de estranhar o cotidiano. É desumanizar para sobreviver.

Um pouco de dor faz parte do humano em nós, se a evitamos a todo custo o que nos tornamos?...

Quero conseguir buscar a estranheza dos momentos difíceis sempre que achar que a perdi. Quero lembrar que a morte não tem território, é sempre estrangeira onde quer que chegue, e quero poder vê-la sempre assim.

Não é que a farei persona non grata. Acredito em males que vem para bem. Acredito no alívio da dor, no cessar de um sofrimento, na paz de um descanso final...
Mas, vê-la sempre como de passagem, como uma visitante a trabalho, uma estrangeira (que é) sem visto de permanência.
E estranhar...

Quero sempre estranhar.


Arrivederci.

Saturday, February 25, 2012

Um retorno

Quase que não consegui voltar...
Estive estrangeira demais.

Isso é o desnecessário de dizer nesse espaço que carrega o nome que carrega.

Estive me aventurando pelo desconhecido que é a vida toda, e colecionei infinitos momentos de alienação, estranheza, deserção... Adaptação e readaptação.

O tempo, entretanto, foi um tempo curto, foi um intervalo pequeno demais pro numero de momentos de profundas mudanças que se sucederam...

Ahhh... Aquela velha nau...
A vida toda, todos os portos possíveis...

Quanto à questão da fé que rodeava esse espaço: Grandes acontecimentos que mereciam ter sido todos escritos, testemunhados, datados.


A sorte me caiu em lugar maravilhoso!
(Parafraseando o salmista).


Sem dizer nada, mas dizendo quase tudo, volto a esse meu lugar de reflexão, onde compartilho impressões e mapeio um devir:
que sou onde não me reconheço, me encontro onde nunca me perdi e me reconheço onde me acho.

Arrivederci.