Monday, August 29, 2011

Quero estar por perto

Eu adoro o declínio das estações. São minha época favorita do ano.
A minha estação preferida é o outono, sem sombra de dúvida. O outono á mágico para mim, é abril aqui, é a época de folhas alaranjadas e vermelhas pelo chão em outros lugares maravilhosos por onde passei. É a época do Thanks Giving...
Mas ha algo muito especial pra mim no 'entre'. Quando o verão vai virando outono, quando o outono vai virando inverno, quando o inverno vai virando primavera... E dias frios se interpõem a dias quentes, e dias de vento a dias de ar parado e ainda há chuvas...
Bom, sempre há chuvas. É o charme dos trópicos...

O entre: o 'in between'...

Fiquei longe do meu espaço de estranhamento por um breve período, fiquei longe de amigos, de 'contatos', de um mundo de 'vastas emoções e pensamentos imperfeitos'. Estive longe de qualquer novidade possível e me solidarizei à indiferença do mundo.
As estações continuam sua marcha cíclica em suave melancolia longe dos átrios virtuais, longe da exposição da vida alheia, longe das novidades irrelevantes cotidianas...

As pessoas que fazem falta continuam a fazer falta, não importa de quantas redes sociais você faça parte...
O que medica, em um grande numero de vezes não cura, e em outra porção singular delas, até impede a recuperação.
Quero evitar a iatrogenia da vida que nos é imposta por esse remédio falacioso que nos oferece o virtual.

Quero vida em abundância.

Quero estar presente quando puder estar presente. Quero ver de perto quando puder ver de perto. Quero tocar quando puder tocar. Quero olhar dentro dos olhos e ver a emoção do relato, ver o brilho que as boas memórias deixam. Quero sentir a brisa morna do verão no meu rosto e molhar os pés na água transparente e verde de uma praia longínqua qualquer e esquecer que levei a máquina fotográfica e despreocupar completamente do fato.
Quero estar por perto...

O paliativo existe. E existem, também, as situações e fatos e pessoas para quem tais medidas são uma benção.
Quero poder fazer uso do paliativo para todas as situações de saudades irremediáveis!

...Mas quando eu puder estar perto de você, não vou remediar.

"Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, 
se bem me lembro
O melhor futuro: é esse hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o tejo escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo,
Quero tudo ter, estrela, flor, estilo,
Tua língua em meu mamilo
água e sal
Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver"
Zeca Baleiro