Monday, April 25, 2011

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"Quanto mais envelheço e mais me abandono à vontade de Deus, menos aprecio a inteligência que quer saber e a vontade que quer fazer: e reconheço como único elemento de salvação a fé, que sabe esperar pacientemente sem interrogar demasiado." (Umberto Eco - 'O Nome da Rosa').


Hoje ando com vontade de falar de mim através de outros, de usar frases e poesias e dizeres que, expressem com exatidão o humor do meu espírito, ainda que nascidas em contextos e seres tão diversos e extemporâneos.

Mas o que isso diria de mim agora?
O que significaria me apropriar de palavras alheias para falar de mim hoje??
Porque o outro me descreveria melhor do que eu mesmo nesse momento tão particular e intimo?!
Porque a fuga?
O esconder-se?
O excusar-se?

Cheguei em um novo ano e estou sem palavras.
Estou tão estrangeira nele quanto em todos os outros antes dele.
Estou tão desconfortável nessa nova casa quanto criança pequena em visita a parente nunca visto que mora longe...

...Mas bastarão alguns momentos... Basta um pouco de confiança... Um sorriso, um doce ou pirulito e,
lá está ela: rock'n rolling all over the place!!!

Será?...
As perspectivas são promissoras (são sempre para nós os otimistas...).
Nunca fui criança de recusar confiança alheia, e nem de me intimidar diante do desconhecido.
Rock'n Roll life!!! Ainda e sempre.

Afinal:  Há tanto a se fazer, 'lugares a visitar, amigos a conhecer'.... A vida urge.

"Pedras que rolam não criam limo"!!

E, assim, sem conseguir escapar às palavras alheias em proveito intimo, pergunto-me em um ton blues à la Bob Dylan:
 - But,
"How does it feel
To be on your own
with no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?"


A responder em um futuro próximo qualquer...

Arrivederci.


Monday, April 11, 2011

"(...) E a esperança não desaponta"

Quero trazer a memória aquilo que me dá esperança. Essa não é uma frase minha, é de Jeremias, e ele a escreveu em meio às suas lamentações.
Hoje me senti particularmente lamentosa e me lembrei desse conselho.
Não foi difícil trazer a memória algo que me inflasse esperança,
mas foi trabalhoso manter fora dela insights derrotistas.
Nossa mente é um campo de batalhas - Alguém já disse isso por aí...
Ou seria a nossa alma?...
- Para alguns não há real diferença entre uma coisa e outra, mente e alma...

Tive um professor, uma vez, que defendeu a idéia de que, na verdade, a mente estaria num 'entre'...
Nem em mim totalmente e nem no outro, mas em algum lugar no meio desse caminho.

(E isso me faz lembrar Mario de Sá Carneiro:
"Eu não sou eu nem sou o outro
sou qualquer coisa de intermédio                                                
pilar da ponte de tédio                                                                     
que vai de mim para o outro" )

Talvez, ele tenha razão.
(Talvez, ambos tenham).

Enquanto estranho a sasonal melancolia que chegou, dessa vez, aliada a fatores estressantes externos,
me empenho em vencer essa pequena batalha mnésica.
Que as coisas que trazem esperança prevaleçam!
Afinal, acredito no titulo desse post.

Arrivederci.

Sunday, April 3, 2011

"A memória é uma ilha de edição" ... Ainda.

As conversas de bar têm andado muito a la réminiscenses.
Passados perdidos, pessoais, desconexos, são os novos companheiros de cerveja que chegam e vão como os garçons, deixam ou tiram algo e seguem seu curso rotineiro.
É bom ser estrangeira no passado dos outros, olhá-los como a belos quadros em eminentes museus...
É estranho se dar conta que pessoas lembram de detalhes que você não lembra, de eventos e situações compartilhadas. E vice-versa. É, ainda mais, perceber que pessoas que te acompanham a longa data tem passados totalmente alheios, dos quais você nunca participou.

É engraçado perceber como certas coisas ligam mesmo quando alteridade, fazem link, despertam em você algo de inominável, porém belo.
Algo que vem do fundo...

E Fernando Pessoa diria:
"Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo."

Eu fico com a suposição de qualquer semelhança, sempre!
Mas, também com o abismo intransponível, com o alheio universo, com a falta que também existe e ocupa lugar no espaço.

... E assim, fico, com a disposição para o futuro, que é o encaixe dessa falta.

"Dispõe-te, Agora!"

Arrivederci.