Monday, March 28, 2011

Destemidos...

Esse fim de semana, num bate-papo de bar, descobri, junto a um amigo, que ambos fomos crianças com corações destemidos.
Eu já sabia isso de mim, mas foi divertido encontrar alguém com quem me identificar tão retroativamente... Crianças com um Brave Heart...
Engraçado isso de termos escolhido a mesma palavra para descrever-nos: 'Destemidos'.

Rememorando experiências, encontrei em minha mente uma imagem.
A imagem de uma foto minha de quando havia entre 2 e 3 anos.
E, estranhamente, em  quase contradição (quase, porque na verdade, não acho que haja, realmente, nenhuma contradição plausível...) com o post anterior, tive a sensação de estar me encontrando com uma essência de mim mesma....


Algo de mim que perdurou como um núcleo rígido e imutável? Ou algo que, então, lá atrás, seria o ícone do que sou hoje?...

"A memória é uma ilha de edição".

Não tenho uma resposta para essas perguntas.
Mas eu, hoje, escolheria, na verdade, escolho, aquela foto como a melhor representação da minha alma.
... Como um retrato mais fiel do que julgo ser minha essência atual.


Arrivederci.


CARTA ABERTA A JOHN ASHBERY

A memória é uma ilha de edição – um qualquer
passante diz, em um estilo nonchalant,
e imediatamente apaga a tecla e também
o sentido do que queria dizer.

Esgotado o eu, resta o espanto do mundo não ser
levado junto de roldão.
Onde e como armazenar a cor de cada instante?
Que traço reter da translúcida aurora?
Incinerar o lenho seco das amizades esturricadas?
O perfume, acaso, daquela rosa desbotada?

WALY SALOMÃO
(Livro “Algaravias”)



Monday, March 21, 2011

Metamorfose...

Esse fim de semana vi "Black Swan", o filme.
Adorei.
O estranhamento, no entanto, veio como uma confirmação conhecida, mas forasteira ao nível do sentimento...
A metamorfose exige uma morte.
Uma qualquer morte, total ou, às vezes, parcial. Mas sempre morte.
A borboleta de hoje, matou a lagarta de ontem.
E a Mangueira que hoje vejo da minha janela, é a lápide de uma manga que um dia enterrei no jardim.
Parece mórbido, mas é só vida.
O filme fala disso de um jeito belo e dramático - visceral!
Como requer o humano, talvez...
Um pouco de morte, não só é necessário como, às vezes, faz bem... Ao menos quando buscamos um para além de nós mesmos... Uma metamorfose... Uma transcendência.

..E estranhamente me acho novamente aqui, de frente pro rio ...

 - Quantas Mairas já morreram para que hoje eu seja essa Maira que sou? ...?...

... a everlasting work in progress.


Arrivederci.

Tuesday, March 15, 2011

"Há um lugar para ser feliz, além de Abril em Paris...

...Outono, no Rio."

Hoje cantarolando essa velha canção, que conheço na voz de Ed Motta, me dei conta de uma obviedade que não havia percebido (e fui estrangeira na canção!...), até então:
Outono no Rio também é Abril.

Então, que venha Abril!



Arrivederci.

Thursday, March 10, 2011

Exile Vs. Hope

These days I feel like I'm  in a exile.


Forced to be apart from some one I love. 
...Deeply.


The weird thing about this whole situation is: the one who exiled me is the same one I miss so  intensely.
And more, is the one I hope wondrously to see soon!! 
He is the land I'm apart and want so desperately to go back to.


The history of my country is full of people who lived this same , but real, situation.
When they were sent off Brazil and forced to live elsewhere, in foreign countries, forbidden to come back because of political issues around '64 and '85...


I'm here though! 
I just came back.
I wasn't in a exile. 
But now I am.
Inside my country, my own life...
I'm being forced to live out of a love, a particular, 
little important love, that is the one I thought I was coming back for. 


Was I mistaken?!


The other weird thing about this is: No, I wasn't!!


I wasn't, and I am not mistaken!
I came back for this love, and I came back for a purpose.
In fact, to fulfill it.


But a purpose involves many layers...


There is a whole one I wasn't paying any attention to: The Spirit Building Issue 
(That's how I named it).
When your headsman, your indictee, your banisher,  
is the same as your victim, your host, your promise land,
you have to be extra prepared to deal with it.


I'm not.


So I have to build my Spirit in order to be ready to just love the one I love 
when the time for do it so arrives.
It has to be a clean and pure love, 
free of all the resentments or offenses or pain 
that the present situation put over our shoulders.
It hurts.
But it can't hurt forever.


Build a Spirit is a very precise and delicate work, 
it can not be mistaken for a soul-making!!
Soul-make is a hole different process, 
cheap and shallow that we can do every day in every given situation that bring us a little peace, 
happiness, joy... 
We make soul with little passions, little pleasures... little life.


We build Spirit with a lot of effort, 
hard work of deep introspection, 
with awareness of who we are, with some pain, 
but great gain! 
... We build Spirit with God!
(- Only!)


When we built our Spirit we get boldness of being. 
And the good thing about it is: a strong Spirit bares a restful soul.


I'm Building Spirit right now... 


With great hope that when the time comes, 
I can finally go back to my land, my promisse - my love -
and be nothing but it. 


Nothing but sincere, clean and pure LOVE.


... Hope does not disapoint!


"There is an appointed time for everything. And there is a time for every event under the heavens"
(Ec 3:1)

Monday, March 7, 2011

É Carnaval...

Hoje está particularmente desanimador escrever... Estou estrangeira no carnaval. Estrangeira em minha própria cidade, estrangeira entre meus iguais, estrangeira, acho, dentro.

É possível estar estrangeira por dentro?!
... Deve ser, pois assim o é hoje, agora, nesse momento.

No Sábado um vizinho, diante da intensa chuva que caia e da falência de seu churrasco carnavalesco, gritava aos 4 cantos e aos seus convidados em tom jocoso irônico de quem desabafa diante de uma inesperada frustração: "É Carnaval!! É isso aí!! O Carnaval chegou!! Uhuu!! É o Carnaval!!"  ... E a chuva caia e insistia!

Hoje me solidarizo.

Arrivederci!