Monday, February 28, 2011

O rio não é mais o mesmo, o homem não é mais o mesmo...

Esse sábado foi um dia onde me senti especialmente estrangeira no momento. Me senti estrangeira diante da minha própria vida, como se esta fosse aquele rio do qual falava Heráclito em sua famosa frase...

O estranhamento veio exatamente do encontro tão real com esse sentimento, que há algum tempo vem me rodeando como um cão carente e sem dono, de que "um homem não pode entrar no mesmo rio duas vezes, pois ao fazê-lo pela segunda vez, o rio já não será mais o mesmo e o homem já não será mais o mesmo"...

Eu sou o homem que não é mais o mesmo de frente para um Rio que não é mais o mesmo - e nos reconhecemos nessa estranheza e nos encaramos com o respeito de quem se reconhece no momento do outro - no entanto, tudo a olho nu é essa aparência de similitude, de imutabilidade diante de si mesmo...
Não fosse essa certeza pungente, pesada, desconcertantemente real, de que esse rio não é mais o mesmo... E de que eu não sou mais a mesma...

E eis-me aqui bem diante dele a olhá-lo. Com profundo estranhamento ao ver o que me é tão familiar...

Porém, coexistindo com a desconfiança que traz o estranhamento existe a esperança de que, em sendo tudo novo de novo, a aventura e as alegrias desse segundo encontro sejam muito mais enriquecedoras, regozijantes e surpreendentes que as do primeiro...

...Toda vez que dou um passo na direção do rio, ele dá um passo na minha direção.
Por enquanto estou me permitindo ficar no estranhamento, e prossigo com baby steps!

Passos de bebê, firmes e seguros, todavia, passos de bebê.

Arrivederci,

Monday, February 21, 2011

Estudar!!

Esses dias ando estudando muito.
E eu até gosto bastante de estudar... Uma vez atingido um determinado ritmo, flui com algum deleite inclusive...

O estranhamento vem da resistência dantesca com a qual me encontro todo dia antes de começar!!
Que gigante é esse e de onde vem?!!

Eu quero estudar, eu tenho que estudar, eu me preparo para estudar... Mas antes de começar tenho que matar um gigante em mim a cada manhã!! Aaaahhhh!!!

E o curioso é que esse gigante é feito de inúmeras pequenas coisinhas e detalhes que vão se colocando sorrateiramente juntas, lado a lado, bem na sua frente e quando vc se dá conta, ei-lo!! O Craken está bem aí, emergindo da água bem diante dos seus olhos!!

Mas como Perseu me ensinou: pega a cabeça da medusa, petrifica tudo.
...Senta e estuda!!

Monday, February 14, 2011

Valentine's day!

Acho que todo mundo sabe a historia do tal padre Valentino que casava as pessoas escondidas na idade média porque era contra o decreto de um tal Rei que proibia os jovens de se casarem, pois queria-os todos em sua guerra ...
Enfim, tô contando a história muito de má vontade, eu sei. Não é porque não goste dela, adoro, na verdade! Mas é porque, realmente acho que todo mundo já tá cansado de saber...
Então, o St. Valentine foi torturado e morto por causa disso, no dia 14 de fevereiro, e assim, temos hoje o Valentine's day, que é o dia dos namorados em grande parte do mundo... Na verdade, é o dia dos apaixonados...

Dos apaixonados que queriam casar.

Porque apaixonados querem casar!...

...O estranhamento me vem de ouvir tanto por aí que o casamento blá blá blá... Ninguém deveria querer, é uma bobeira, é uma instituição falida... yada yada yada... Não retrata o amor, não tem nada haver uma coisa com a outra...

Pode até ser...
Mas minha anima duvida disso, e desconfio que a história também...
Eu não gosto de pensar que a regulamentação do ato do casamento veio só, e somente só, por interesses burgueses que envolviam o patrimônio... Isso, também aconteceu.

Mas, sinceramente, as pessoas sempre se casaram, mesmo sem patrimônio, mesmo sem lei que regulasse, mesmo sem estado...

Pode até ser um argumento esse de, 'então pra que lei, se o que vale mesmo e o que sempre valeu é a intenção do coração?!!'...

Bom, minha resposta é bem pragmática e pouco romântica, acho: Porque agente vive num Estado democrático, laico, de direito.

E dentro dessa realidade, casar de verdade é prova de amor! A maior que nos permitem dentro do Estado! Transformar o amor em ato legal...
Acho que é a forma de dizer no social que seu amor é real.

Quem ama casa!

E isso é tão simples e tão anexado ao amor, que mesmo com toda a rebeldia dos contra o casamento formal, inúmeras leis são criadas para garantir os direitos dos que vivem juntos... E agora agente tem um monte de outros nomes, pra um monte de outros papeis, que dizem a mesma coisa: Que vc ama aquela pessoa e que vcs estão juntos...

... E que quando vc faltar como parte desse amor ela ainda terá algo dele...  Nem que seja algo material...


Fazendo um paralelo bruto:
Se por odiarmos enterros acabássemos com os funerais e cemitérios, jamais extinguiríamos a morte (e muito menos os corpos!).
E essa jamais teria sido a nossa pretensão inicial, pois sabemos que é impossível acabar com a morte...
Então?...
??...

"O amor é tão forte quanto a morte", e  os rituais do amor vão sempre existir, ou serem exigidos, assim como, os rituais da morte, sejam eles quais forem e que nome tenham...

Quem ama de verdade, casa de verdade.

Quem tem medo da morte, nem por isso vai deixar de morrer...


Think about it!!

Happy Valentine's day!
Be in love and live it!!!

Tuesday, February 8, 2011

"A vida passa, mas fica na mente"...

Em uma dessas manhãs passadas na qual acordei cedo como tenho feito costumeiramente desde o retorno, estava sentada ao sol com minha vó  enquanto ela comia amoras pegas no pé (sim, minha casa tem, também, um pé de amoras...), então minha vó me disse em meio às reminiscências de sua vida:
- "É... Marizinha, a vida passa, mas fica na mente.."

E essa frase encontrou um lugar de ancoramento imediato em meu coração. Tanto pela doçura como foi dita quanto pelo peso de 'verdade ultima' que assumiu para nós duas naquele momento compartilhado ao sol...

E o estranhamento veio leve no devaneio de um futuro passado no futuro...
O que terá ficado na minha mente quando eu estiver com noventa anos sentada under the sun ao lado da minha neta no jardim?

E o que ocupa esse espaço agora?...
O que será feito dessas pequenas aflições cotidianas, anseios, felicidades, momentos?...

Olhando sinceramente para o 'até agora', percebi algo quase maravilhoso demais pra ser verdade (será que é?!). Que de momentos alegres sempre restam, uma gargalhada ou um sorriso solitário, um espremer de olhos e um olhar para o infinito...
Dos momentos tristes resta só um discurso, vazio e estranhamente organizado com mais faltas do que se esperava ao começar o discurso.... Por maior que tenha sido o momento e ainda que vívido ou muito nítido.... Um discurso sóbrio... e destacado.

...Espero que até os noventa o empírico da vida me prove certa.
Ao menos pra mim, até agora tem sido assim.

Good!!
Good.

... Or God.

Tuesday, February 1, 2011

Casa nova...

Isso de ser estrangeira requer com que nos mudemos com frequência...

Eu voltei e mudei. Estou com a esperança de que este novo lugar neste novo momento onde continuo sempre estrangeira, seja mais acolhedor que lugares e momentos passados...

Ando com a esperança de que haja em mim maior motivação para o estranhamento cotidiano...

Bom, hoje comecei. Se conseguir criar uma disciplina, espalho o boato de que o Estrangeira está de volta.
Se não,
... tans pis!
O que vale é nunca desistir de tentar...
Here we go again!